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É certo que sempre que estou frustrado, é porque imaginei algo que a realidade provou diferente. É o sentimento de ver um desejo não ser realizado. Caberá, no entanto, colocar a imaginação ou o desejo como culpados pelas frustrações? Existe a expectativa não correspondida, mas o que é pior, a existência da expectativa ou o fato de ela não ter sido atendida?

Ora, parece-me claro que toda frustração traz dentro de si a semente para uma realização. Se ainda não germinou, frustra-se, mas será que ainda não vale continuar regando? Será que o tempo ainda não vai ficar mais favorável para que o verde apareça? Será que uma continuidade, uma perseverança, não poderiam transformar limão em limonada, arrependimento em sucesso, fracasso em resultado positivo?

Acredito que por vezes sim e por vezes não e nunca é possível antecipar qual delas estamos vivenciando. Insistir eternamente pode ser pior do que frustrar-se pontualmente e forçar-se a mover-se para frente. Tudo depende, a meu ver, do valor que se dá à semente e do quanto queremos saborear o fruto futuro ou desfrutar da sombra da vindoura árvore. De acordo com o tamanho do sonho, mede-se o tamanho do desafio e do empenho a ser dedicado para alcançá-lo.

Eu tenho amor ao debate. Realmente gosto de entrar em discussões com pontos de vista conflitantes, defender os meus e aprender com os dos demais. Tenho comigo que é sempre importante entrar nessas disputas disposto a modificar completamente a sua visão de mundo, e para isso devo estar atento aos argumentos e não a quem os diz. Da mesma forma, espero conseguir ter clareza ao expor os meus e tenho expectativa de que seja ouvido pelas ideias que aporto e não pelas que um dia já aportei ou aportarei. O ser humano é rico em contradições e ser uma pedra imutável não é virtude. Prefiro ser essa metamorfose ambulante.

 

Apesar de adorar viver novas experiências e de saber que boa parte delas tem um custo material para ser realizada (como foi a ida ao Kilimanjaro no ano passado e como será a ida ao campo base do Everest neste ano) eu já me conheço o suficiente para saber que vivo bem com pouco, que meus valores vão além do valor da conta do restaurante ou do carro que tenho na garagem ou ainda da metragem de minha residência, seja ela própria ou alugada. Nada disso importa muito. Dou mais valor às pessoas com quem me relaciono e na qualidade dessas relações, onde busco sempre ser honesto e sincero. Dou valor ao meu ukulele e os três acordes que já sei fazer. Dou mais valor a este meu blog onde posso expor minhas ideias. Dou mais valor aos seriados e filmes que gosto de assistir e que me divertem ao mesmo tempo que me estimulam. Aos meus livros e HQs que nem tenho mais onde guardar – para desespero da minha esposa.

Neste 171, para ligar os dois tempos do texto nesta pequena prorrogação, preciso apenas dizer que há um grande empenho de minha parte em transformar, via debate, uma realidade antiga. Batalhas tem sido ganhas, aos poucos, lentamente. Mas a guerra ainda não tem prognóstico. E isso poderá ser uma grande frustração. Valerá continuar regando?

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