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Há um encontro. A primeira vez em que se encontra alguém, quando aquelas duas identidades se fazem presentes no mesmo momento e ocupando espaços próximos que permitam contato, interação. E há o reencontro, que se dá quando já houve um encontro, seguido de uma separação no tempo e no espaço e, depois, culminando em outro instante em que novamente se põem lado a lado, frente a frente, ou em qualquer outra distância e posições que sejam.

Por mais que o parágrafo anterior seja aplicável a qualquer relacionamento em nossas vidas, afinal reencontramos nossos companheiros, amigos, familiares, colegas e até desconhecidos – o atendente da padaria ou o cobrador do ônibus, eu quero falar de um tipo bem particular de reencontros: com os nossos artistas musicais favoritos. Na semana passada eu publiquei um farelo musical sobre minhas impressões do Lollapalooza… mas foi lá, ao reencontrar Céu, que essa reflexão tão recorrente me veio a mente.

Na primeira vez que eu vi a Céu, eu estava namorando com a Gi mas ela não me acompanhou ao show, pois a Maiara, sobrinha dela, estava na maternidade. Fui com o Guilherme, amigo das antigas e colega de trabalho. Foi no Cine Jóia, pequena casa de espetáculos aqui em São Paulo. Eu queria muito ver um show da Céu e tinha ido ver Criolo, neste mesmo lugar, uma semana antes, também com o Gui – e tinha sido ótimo, apesar de problemas de acústica. Ali foi o repertório clássico, de uma artista já estabelecida mas com apenas três álbuns de estúdio lançados. Para um fissurado, não faltavam emoções ao compartilhar com o artista a nossa admiração pela sua obra. E cantar junto, sim. Desafinado, sim. O que vale ali é admirar e sentir, mas também compartilhar o momento.

Algumas semanas depois, eu reencontrei a Céu, mas agora acompanhado pela Gi – e pela Cachinhos, para ouvir o concerto de Catch a Fire, álbum clássico de Bob Marley revisitado, na íntegra, por ela. Foi lindo e foi diferente. Pela companhia, pelo ambiente, pelas músicas, pela atmosfera.

No Parque do Ibirapuera, um ano depois, fomos mais para ouvir ZAZ, cantora francesa, mas também ouvimos, ao chegar e à distância, o final do concerto da Céu. De novo com a Gi e a Cachinhos, mas agora com um grupo ainda maior de amigos e com direito a piquenique no gramado do parque. Nem cheguei a ver a Céu, mas ouvi de longe e não deixou de ser mais um reencontro.

Eu me casei com a Gi e mudei de Campinas para Osasco em 2015. Em 2016 a Céu lançou álbum novo, Tropix. A Maiara já me chama de Tio Paulo e vai fazer 4 anos. O Guilherme continua trabalhando comigo e é um ótimo amigo, bem como vários outros que vamos mantendo e acumulando com o passar dos anos.

Desta forma chegamos ao Lollapalooza de 2017, a mais um reencontro. Eu não sou o mesmo e nem é a Céu, tocando muita coisa nova, do Tropix, que eu nem ouvi tanto assim. E dando roupagem novas para as que eu já conhecia, pois reinventar-se é bom e eu gosto. Artista inquieto é quase que um pleonasmo. Quando se dá o reencontro, em geral, eu tento pensar nisso, no quanto não dá para “ouvir de novo o concerto da Céu”. É sempre algo novo, muda-se o espaço, muda-se o tempo, muda-se quem nós somos. Muda-se o criador, muda-se a obra e também muda-se o observador. As nuvens são sempre outras e mesmo o céu já mudou. Cada encontro, uma história.

A Gi perguntou se eu daria outra chance para os Strokes. Ali foi nosso primeiro encontro – e foi uma decepção. Mas eu talvez desse uma chance de reencontro, dependendo das circunstâncias. System of a Down foi apenas um encontro e eu anseio por outra oportunidade. Vai ser ótimo reencontrar Camille em breve, em maio, e a expectativa pelo encontro com os Tindersticks já me deixa ansioso…

Nunca se entra no mesmo rio duas vezes… nunca se lê o mesmo livro duas vezes… nunca se vê o mesmo filme duas vezes…. não há reencontro igual.

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