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Apesar de ter ido aos dois dias do festival, eu assisti poucos concertos.

No sábado, tinha compromissos pessoais e só consegui ir ao Metallica, última atração do dia. E como valeu a pena. Gosto de rock mais pesado e sou admirador da banda desde meados dos anos 90, quando ouvi Fade To Black pela primeira vez, pela MTV, era o clipe abaixo, um extrato de um show da banda em Moscou em 1991.

Ela fazia parte do set list de sábado juntamente com outras clássicas como For Whom The Bell Tolls, Master of Puppets, Nothing Else Matters e a “mais recente” The Unforgiven. Porém, a maior parte do repertório cobriu músicas do álbum do ano passado, Hardwired… to Self-Destruct. Não estou mais acompanhando a discografia da banda mas posso dizer que a decisão foi acertada. As músicas mantiveram sempre uma energia contagiante, o público abraçou a banda e a renovação do público da banda – as pessoas que vão ao festival são de todos os tipos e gerações – é certeira. Valeu demais a pena, Hetfield ainda consegue manter o pique, Lars detona na bateria e as guitarras de Kirk Hammett são uma das melhores que ainda sobrevivem no rock surgido nos anos 80.

Hetfield ainda teve a sagacidade de fazer um belo discurso de inclusão ao dizer “Não importa qual artista você veio ver hoje, agora você está aqui e queremos agradecê-los e recebê-los de braços abertos para fazer parte de nossa família”. Também mostrando-se emocionado por estar na estrada há 36 anos, garantindo que para eles a motivação e entrega continuam especiais. Para nós também, James. Foi o ponto alto do festival para mim.

No domingo, cheguei cedo para curtir o dia do evento e também para ver o concerto da Céu, que estava previsto para bem cedo, as 13h15. Perdi só a primeira música, o show estava no Palco Ônix… a caminhada até lá é intensa. Fazia já quase três anos que eu não via Céu ao vivo, de lá para cá ela também teve álbum novo, mas houve também surpresas com novos arranjos para algumas das canções mais antigas, como Malemolência e Cangote. Sou fã. Só o figurino e a maquiagem que não estavam adequados para o calor das 13h e combinariam mais com uma apresentação noturna pós-apocalíptica em um pub cheio de fumaça e gente estranha.

Depois fui dar uma olhada geral nas coisas do Festival: o estande dos chefs e suas comidinhas, o espaço de lojas (tinha de gente lendo seu futuro no tarô a venda de meias coloridas), as ideias marketeiras dos estandes dos patrocinadores e o que o festival oferecia por todos os lados: muitas filas para consumir comidas e bebidas. O pagamento, com a pulseira high-tech que serve de entrada e moeda, foi facilitado, mas o atraso se dá, ao menos no caso da comida, muito mais na preparação. No meu caso, por exemplo, paguei um sanduíche de picanha rapidamente, mas tive que esperar quase 30 minutos para poder comê-lo.

Um pouco mais tarde, as 16h, assisti Silversun Pickups. A banda americana estava a vontade e com bom público no palco Axe, que é o único em solo pedregoso que atrapalha um pouco a experiência. Curti bastante o show mas achei a banda um pouco repetitiva, tanto no repertório quanto na condução do frontman Brian Aubert. Foi a primeira vez da banda tanto no Brasil quanto na América do Sul. Teve momentos em que eles conseguiram levantar o bom público que estava lá para conferir o som, mas a maior parte do concerto foi mais de apreciação técnica do que de empolgação.

No mesmo palco, vi o começo do concerto da dinamarquesa M0 e fiquei bem impressionado, mas já era hora de me deslocar para ver o que seria The Weekn’d, que era uma das principais atrações mas que estava fora do meu radar. Ouvi pouco mais do que duas músicas e resolvi mantê-lo fora do meu radar, já me dirigindo para o palco onde mais tarde os Strokes se apresentariam.

Strokes e Céu, na verdade, foram as atrações que me fizeram comprar os dois dias de festival. Valeu mais pela Céu. O concerto dos Strokes, que já foram considerados, exageradamente, uma revolução no rock no início dos anos 2000, com seus vários e grudentos hits como Last Nite, SomaReptilia e 12:51, dentre outros. Apesar de essas músicas terem sido tocadas no show, o que ajuda os saudosistas de plantão como eu, toda a performance estava meio desconjuntada. O vocalista Julian Casablancas parecia alternar entre bêbado, desinteressado e desconfortável… e os vocais, que mesmo em estúdio já são meio desleixados, ao vivo por vezes pareceram quase amadores. O que mais prejudicou a experiência, no entanto, ao meu ver, foi a decisão (?) de fazer um show em que ao fim de cada música o palco escurecia, o silêncio imperava e apenas depois de um tempo que alternava entre vários segundos a quase um minuto, a próxima música ser iniciada. Neste período, não havia nada, não havia interação com o público, não havia uma base melódica para depois a canção iniciar, não havia nada… parecia que a banda não tinha definido previamente o seu set list e eles deliberavam ali naqueles momentos qual seria a próxima a ser cantada. E, com isso, a coisa não fluia, faltava pegada, os momentos de mais intensidade ou comoção do público eram quebrados. Para mim foi decepcionante… E o público não entendeu mesmo a proposta, pois quando eles ao invés de começarem uma nova música decidiram ir embora e esperar pelos apupos pedindo por mais, pelo bis, ninguém apupou ou pediu, já que ninguém estava entendendo nada. O resultado é que eles só voltavam depois e meio que por “obrigação profissional” já que o público aos poucos esvaziava.

 

Eu adoro festivais, gosto de ver a devoção dos fãs a alguns de seus artistas favoritos, gosto da celebração à música, gosto da energia, da vibração. Sei que é também um evento comercial, noto que tem muita gente que vai mais para ser vista do que para ouvir música. Sei que a infra-estrutura é boa e cara, mas ainda assim deixa a desejar ao tentar atender um público maior do que deveria (100 mil pessoas no sábado, 90 mil no domingo). Tudo isso, no entanto, não é o meu motivo para ir. Eu vou para fazer parte deste encontro entre artista e público, conhecer coisa nova e ver como o público se conecta a cada show, a cada apresentação. E, de quebra, me (re)encontrar com aqueles que admiro e curto. E isso é sempre bom.

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