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Existem relações difíceis. As vezes, não importa o quanto a gente goste, se preocupe ou cuide, o outro lado torna tudo mais difícil ao ignorar seus esforços e contra-atacar com mal-humor, indiferença e agressividade. O que fazer então? Abandonar? Aceitar? Se for para julgar a partir da nossa relação com o nosso gato, Bolinho de Arroz, a resposta é: dê carinho e tenha paciência. Provavelmente, esta mesma receita funcionará para boa parte das relações, com pais, família, amigos(as) e companheiros(as).

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Também não dava para esperar nada muito diferente do gato quando ele veio para casa. Era um gato que vivia solto, tinha sido adotado em campanha de pet shops e para lá voltaria se não tivéssemos pego. Mas, antes de vir, passou por castração. Ou seja, do ponto de vista dele, foi raptado, preso em um apartamento e ainda castrado, não dava para esperar que ele nutrisse muito carinho por nós, os próprios sequestradores desumanos.

Se nós roubamos sua liberdade e a possibilidade de ele vir a ser pai, ele nos roubou o sono, o sossego, a arrumação da casa e, com um bom exagero, uns bons litros de sangue. Mas também nos trouxe, em contrapartida, uma sensação maravilhosa de nos ocupar de um serzinho especial, carinhoso à sua própria maneira, usando suas garras afiadas para demonstrar o quão querido ele pode ser. Gatos podem ser traiçoeiros.

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Minha esposa costuma dizer que ele é o Marley dos gatos. Não é uma comparação inapropriada, ele já quebrou bastante coisa, é estabanado, mas compensa isso fazendo questão de passar o tempo todo ao nosso lado. Tocá-lo, só quando ele quer, mas observá-lo demanda só um desvio do olhar e olhe lá. Além disso, comporta-se como cachorro, o seu passatempo favorito é buscar e trazer bolinhas, como se fosse canino. E é capaz de fazer isso por horas a fio.

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Este farelo, diferente do meu habitual, é para prestar homenagem ao meu gatinho, que com carinho e paciência, transformou-se. Hoje ele já sabe que só tiramos sua liberdade para podermos nos ocupar de verdade dele. Passou a demonstrar doçura, morde sem apertar, arranha sem intenção e só em casos fortuitos. Sou quase capaz de dizer que, agora, o Bolinho já se habituou ao ponto de que, se pudesse escolher, teria exatamente a vida que hoje tem, conosco. Hoje ele já tem também carinho por nós, ainda que para ele ainda falte um pouco de paciência para nos deixar dormir um pouquinho mais, principalmente nos fins de semana… lições para os próximos anos, com certeza.

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