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O Palmeiras, meu time de coração, depois de 22 anos, volta a ser campeão brasileiro, o mais importante título nacional de clubes. Os títulos anteriores vieram em dobro, com o fantástico time montado pela Parmalat em 93 e 94, com direito ao animal Edmundo, Rivaldo, Zinho, César Sampaio, Roberto Carlos, Evair e tantos outros craques. Curiosamente, durante o longo jejum celebramos 3 Copas do Brasil (ganhamos inclusive no ano passado),  uma Libertadores da América e até, infelizmente, dois campeonatos brasileiros da Série B, depois de dois rebaixamentos.

O campeonato deste ano foi sofrido também por tudo isso… o time assumiu a liderança e não largou mais, foi sólido, tem a melhor defesa e o segundo melhor ataque, é equilibrado, passa confiança, tem ótimos jogadores – como Prass e Gabriel Jesus – e uma boa equipe, com bons jogadores – como Jailson, Mina, Jean, Moisés e Dudu. O treinador acabou sendo mais pragmático do que encantador, mas venceu um importante desafio, criou uma equipe com um elenco gigantesco – e suas inevitáveis guerras de ego – e depois do conturbado e confuso trabalho do antecessor Marcelo Oliveira.

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Vou aproveitar aqui este 171 para celebrar pois tanto eu quanto a outra colunista, a Vanzinha Nishi, somos Verdão, somos Porcos, somos palestra! É campeão! É campeão!

É o título do Zé Roberto, veterano de 42 anos, que já jogou duas Copas do Mundo pelo Brasil, já jogou por grandes clubes da Europa como Real Madrid e Bayern de Munique, já brilhou no Brasil na Portuguesa e depois no Grêmio, ganha agora o seu primeiro título brasileiro.

É o título também de Gabriel Jesus, o menino de apenas 19 anos, que sequer era nascido quando o Palmeiras ganhara o Brasileirão pela última vez e que agora é o grande nome da conquista, dono da camisa 9 da seleção brasileira e a caminho da Europa, para brilhar no Manchester City sob a direção do badalado Pep Guardiola.

É o título de Jailson, torcedor do time e em fase final da carreira, aos 35 anos, que jamais tinha jogado como titular jogos da série A e que viu sua grande chance depois da fatídica contusão do ídolo Fernando Prass, que servia a seleção brasileira para a competição olímpica quando se machucou. Jailson jogou a segunda parte do campeonato e terminou invicto, não tendo sofrido sequer uma derrota com o time. Uma barreira, uma descoberta, o acaso presenteando aqueles que lutam, sonham e nem sempre são reconhecidos. Ter talento não basta, por vezes é preciso ter oportunidades.

É o título de Moisés, que entrou no time e encaixou-se como uma luva. Não tinha renome, mas passou a ter depois da conquista, sendo considerado por muitos como o craque do campeonato… apesar de ser também o portador das cobranças de laterais na área, o que acabou simbolizado como o “Cucabol”, o futebol simplificado e focado no resultado, mas efetivo, batizado por Mauro Cézar Pereira (ESPN). Eu preferiria ganhar com um jogo ainda melhor, mas estou satisfeito com o que time entregou, com os mares abertos por Moisés, em parceria com Jesus, neste time bíblico.

É o título de Jean, que junto com os (em geral) reservas Edu Dracena e Egídio, era o único a já ter celebrado um Brasileirão. Veio do Fluminense e foi peça-chave no time, dada a sua versatilidade de atuar tanto como lateral quanto como volante.

É o título de Tchê Tchê, que resgata a tradição dos divertidos apelidos dos jogadores, regular em campo, com boa técnica, bom passe, boa marcação. Foi, junto com o goleiro Sidão (Botafogo e, em 2017, São Paulo), o jogador que melhor aproveitou a exposição conseguida com o sensacional Audax-SP, de Osasco, vice-campeão paulista deste ano.

É o título de Vitor Hugo, que venceu as desconfianças iniciais, se firmou na melhor zaga da competição, junto com Dracena e com o colombiano Mina, e ainda deu uma de artilheiro em vários momentos, desafogando o time e ajudando-o a ser o time com mais gols de cabeça no certame.

É o título de Dudu, que de cabeça-quente e jogador que bate em árbitros e pouco contribui, para o capitão que fez gols decisivos e ergueu a merecida taça ao final do ano, fazendo o chapéu dado no São Paulo à época de sua contratação ter valido realmente a pena.

É o título de Cuca, questionado e esquisito, mas efetivo e vencedor.

É o título de todos os demais que ainda não citei, Cleiton Xavier, Allione, Alecsandro, Rafael Marques, Roger Guedes, Eric, Barrios, Gabriel, Arouca, Fabiano… do “dono do time” Paulo Nobre, que bancou a reformulação do elenco e deu um fôlego para que o time se reestruturasse…

Mas esse título é também meu, do Filipe, do Emannuel, do Richard, do Muca, da Vanzinha, do Zé Paulino, e de tantos outros palmeirenses espalhados por aí.

Gostar de futebol é algo que não tem muita explicação. Mas para aqueles que gostam, não há nada melhor do que ver a entrega daqueles que te representam, por quem você torce, acompanha e se dedica, e ter a recompensa de aprender a esperar para poder vivenciar bons e inesquecíveis momentos. Não se ganha sempre, graças a Deus, pois o mais importante no esporte é ensinar tanto a perder quanto a ganhar. Parabéns, Verdão!

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