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No meio da parafernália das políticas e politicagens a que somos submetidos a cada dois anos nos períodos eleitorais, há sempre algumas figuras onipresentes, que estão sempre ali com maior ou menor destaque, à espreita de uma situação particular para tomar o controle, ganhar a eleição.

Este ano, em que as eleições foram municipais, uma dessas figuras são os coronéis. Aquelas pessoas cheias de posses e riquezas, de famílias já tradicionais na cidade ou região, em geral latifundiários que exploram trabalhadores servis e que dominam as decisões, mesmo as públicas, dos locais em que habitam. E assim, várias das nossas cidades, principalmente as menores, são governadas eternamente pelos mesmos, uma espécie de aristocracia tosca que só serve para concentrar ainda mais a riqueza e o poder de quem já os tem.

Em muitos casos, a nossa política é cenário para bandidos. Este ano, por exemplo, tivemos assassinato de candidato em uma Itumbiara, cidade de Goiás – e seu substituto acabou eleito. No Rio, candidato a vereador também foi alvejado. Mas os bandidos não são apenas aqueles que empunham armas, como sabemos com tristeza. E os eleitos que se voltam contra os interesses públicos são capazes de matar muito mais, com sua sede desmedida de poder e sua predisposição para a corrupção e os desvios.

Há também os palhaços, aqueles que sabem que boa parte do eleitorado já não suporta mais a obrigatoriedade do voto, a necessidade de sujar suas mãos com um urnas questionadas, com campanhas desigualmente subsidiadas, com candidatos com agendas previamente comprometidas. Diante disso, eles, os palhaços, imaginam uma forma de chamar a atenção pelo riso, ou pelo desconforto, ou pelo embaraço. Querem ser curiosos, querem ser lembrados por serem diferentes, ou quem sabe por despertar no eleitor algum tipo de simpatia ou até de compaixão.

Há ainda os que realmente são políticos de ofício, aqueles que estão ali e sabem bem os caminhos para chegar ao poder, para dialogar de uma maneira convincente com o povo, de vender suas promessas de campanha de forma a ganhar o pleito. Alguns deles terão uma pauta mais social, mais esquerdista, enquanto outros deles terão uma pauta mais liberal, mais direitista, mas estes ao menos são mais preparados para o fazer político. O único problema, neste caso, é que eles tem duas faces. Uma delas, a de cordeiro, é a que exibem durante o período eleitoral. A outra, a verdadeira, é a das mãos sujas e da mudez, que acabam demonstrando imediatamente (para os reeleitos) ou pouco depois (para os que estão entrando agora no jogo) de terem vencido. Por melhor que possam ser as intenções deste políticos – e acredito que raramente são boas, em geral são confundidas com interesses pessoais e mesquinhos – o nosso sistema atual precisa de uma faxina antes que alguém decente consiga fazer a diferença, sem correr risco de vida.

Finalmente, e este é o ponto principal deste 171, há aqueles dois candidatos que concorrem em todas as cidades, as capitais e as do interior, as pequenas e as grandes, as do litoral e as do sertão. Sim, o candidato “voto nulo” e o candidato “voto em branco” estão sempre ali, nas urnas, para serem escolhidos. Há ainda uma terceira opção onipresente, que é dar de costas, ausentar-se, não ir votar. Oras, se temos o poder de decidir o nosso futuro e quem serão nossos representantes, isso não deveria ser imposto, para que apenas aqueles que realmente se interessam, se informam e que, posteriormente, terão autoridade para cobrar seus eleitos é que efetivamente votem. Da forma como hoje é feito, obrigando-se o voto, quem ganha são justamente os maus candidatos, com mais gente desinformada e desinteressada para convencer – ou comprar – e assim manter seus privilégios.

Pois bem, em 2016 os brasileiros, talvez cansados ou revoltados com tudo isso, com as mãos limpas, as lava-jatos, as merendas que somem e todo o inferno político que nos cerca, deu um sinal de basta. Em São Paulo foram mais de três milhões, no Rio de Janeiro foram 38%, e aconteceu também em Campo Grande e em mais outras dezenove capitais. Sim, em vinte e duas das nossas capitais quem ganhou não vai levar. Branco, Nulo e Não tô nem aí, esta chapa da revolta, foram os grandes vencedores destas eleições. E eu acredito e espero que isso possa ser um sinal positivo para o futuro.

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