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O 171 de hoje poderia ser batizado de “não desista, vai dar certo!”.

Lá se vão agora três carnavais de chuva e boa companhia. Há dois anos, Ilha do Cardoso, que mereceu seu próprio farelo. No ano passado, acampando no PETAR. Este ano, Penedo e a região de Itatiaia, no Rio de Janeiro. Nos três anos, três locais diferentes… e todos com as tradicionais chuvas de verão marcando presença e derramando suas águas que trazem alento e aconchego para dias quentes, mas que não combinam tanto com passeios pela deslumbrante natureza dos três destinos.

Pois bem, hoje fomos para a região de Visconde de Mauá, onde ficam também Maromba e Maringá – do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Chegamos não tão cedo e optamos por tentar fazer a escalada da Pedra Selada, que dá nome à serra onde ficam todos estes vilarejos. Desistimos, pois a escalada previa uma hora e meia para pessoas normais, o que não era o nosso caso, sedentários e indolentes com o próprio corpo. Se optássemos por subir até o belo pico e ter a magnifica vista panorâmica de toda a região, nos comprometeríamos basicamente apenas com esse passeio dado que já era quase uma hora da tarde quando chegamos à trilha inicial. E ainda sem boné, água e algum salgado para beliscar, preferimos voltar e almoçar em Maromba para então conhecer as famosas cachoeiras da região.

Depois de algumas poucas dezenas de quilômetros na sinuosa estradinha passamos por Maringá-RJ mas estava muito cheia de carros e de turistas… e todos continuavam subindo, tanto que quando chegamos mais acima, em Maromba, um guarda municipal já estava mandando a todos que voltassem pois não tinha mais espaço para tantos carros lá em cima. Abandonamos a trilha pelas cachoeiras e agora elas também não estavam mais disponíveis. Durante o pequeno impasse para decidirmos se deveríamos almoçar ali mesmo em Maromba – mas teríamos que resolver o dilema de onde deixar o carro – ou voltar para Maringá ou até mais abaixo, para Mauá, resolvemos parar por ali mesmo, e a caminho do restaurante fomos surpreendidos pela forte chuva que chegou sem aviso. Corre rápido, abrigo provisório, corre mais, abrigo definitivo no restaurante simples, porém agradável, no qual pudemos apreciar uma truta grelhada com molho de camarão.

Choveu forte durante todo o almoço, mas ela cessou ao fim da refeição. Bom presságio, pensamos, mas foi só tentar caminhar até o véu de noiva e ver a ponte de acesso alagada para mudarmos de ideia. Subimos então até o poção, mas a água estava toda embarreada. A chuva foi muito forte e teve tromba d´água. As paisagens já não eram as imaginadas. Faltava decidir se iríamos andar mais dois quilômetros para chegar à última cachoeira da trilha, a mais famosa, a cachoeira do escorrega. E por que não? Fomos, subimos e desta vez a sorte sorriu para nós, mais acima e depois de meia hora, a água já estava mais limpa e pudemos apreciar ao vivo o cartão postal. Na descida, revimos o poção mais limpo e, mais abaixo, o véu da noiva casou-se conosco. Fotos para registrar, sorrisos felizes de satisfação.

No caminho de volta para Penedo, mais uma foto para não deixar o belo arco-íris passar sem registro. O que há depois da tempestade, senão o céu colorido que embeleza o destino daqueles que continuam a olhar? A noite foi caindo, o dia se despedindo, mas ainda pudemos parar em um empório com dois argentinos tocando violão e violino e dando roupagem nova a velhos clássicos, nacionais e mundiais, com uma personalidade e uma entrega que surpreenderam e emocionaram. Uma chave de ouro para fechar um dia que tanto nos ensinou.

Planos, como o de subir até o pico da Pedra Selada, podem ser mudados a qualquer momento se assim nos parecer mais adequado. O que não significa que nos levarão a cumprir os novos objetivos estabelecidos, como o guarda deixou bem claro ao nos mandar voltar. Mas a chuva veio para inicialmente atrapalhar mas depois para rearranjar e ajudar a que esses mesmos planos pudessem ter outro desfecho, mais feliz ao menos para nós, que no entanto só pudemos realmente celebrá-lo ao tentar duas vezes avistar o mesmo local. Paciência. Há de se ter paciência até para reconhecer o quanto a paciência é essencial. Graças a ela transformamos um dia em que as coisas poderiam parecer absolutamente frustrantes para mais um dia mágico, com expectativas sendo ajustadas de acordo com os fatos e com uma surpresa musical que o acaso nos trouxe para nos presentear. Obrigado, destino. Obrigado, paciência.

Todo carnaval tem seu fim. E é o fim. E é o fim. Até o carnaval do ano que vem, com mais chuva, boa companhia e boas histórias para contar.

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