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Estou na Costa Rica, este país centroamericano conhecido por não ter exército há mais de 50 anos, por ter pouco mais de 50% de seu território constituído por parques naturais protegidos, por seu bom papel na última copa do mundo e por ser quase que uma Austrália americana, dona de uma fauna com tubarões de água-doce, rãs venenosas e tantas espécies de serpentes e crocodilos para assustar a qualquer um.

Talvez tudo isso seja conhecido pela maioria – ou por qualquer um que tenha lido alguma matéria sobre o país. Porém, estando aqui, algo que chamou tanta atenção quanto a exuberante natureza local é o seu povo. Os costarriquenhos são extremamente amáveis e educados. Os guias dominam, de fato, ao menos dois idiomas e discursam fartamente sobre os assuntos de interesse: o teleférico construído para pesquisa científica sobre uma das várias florestas chuvosas, o processo de desova das tartarugas marinhas, os animais e as plantas, as cavernas, os rios, a situação econômica do país, a corrupção, a culinária… falamos com eles sobre um pouco de tudo, sobre o que é puramente turístico, sobre o que é curiosidade e sobre como é a vida por aqui.

pura-vida

Justamente, cheguei no ponto que eu queria, ao falar de vida tenho que mencionar as duas frases mais repetidas pelos “ticos” (como os costarriquenhos se autodenominam). A primeira é “con (mucho) gusto”, equivalente ao nosso “de nada” e dito sempre, com um sorriso sincero no rosto, por todos ao ouvir um “gracias” ou até mesmo um “obrigado”. A segunda é “pura vida”, frase-lema do país, dita sempre que se quer exaltar algum feito, um acontecimento. É equivalente a um “ótimo” ou um “muito bem”. Para eles, pura vida é ser feliz, é estar bem, em sintonia com o belo e com o prazer.

Apesar de serem bastante gentis e educados, creio que essas duas frases vão além da educação. Elas trazem uma outra camada social, algo de satisfação com o prazer de se viver, independente da condição social ou econômica. Ao dizer sempre “con mucho gusto” sentimos que, de fato, não estamos sendo atendidos ou respondidos apenas por educação ou por profissionalismo, mas também pelo prazer de ajudar, de ser prestativo, de ver alguém feliz. E isso faz toda a diferença. Pedir informação na rua ou agradecer a alguém no comércio sempre termina com “muito prazer”. E isso é pura vida!

Assim como é pura vida encontrar pessoas em viagens e interagir com elas. Fazer uma trilha e trocar com todos os desconhecidos que vem e vão um “hola” ou um “good morning” saborosos, a troca que diz que estamos ali vivendo, desfrutando das belezas que o mundo nos ofertou a todos, mas distribuiu e escondeu essas belezas bem espalhadas pelo globo afora, para fazer com que todos os que dão valor a isso tenham que se deslocar para poder encontra-las e, de brinde, encontrar outros iguais a si.

E esses viajantes que trocam “holas” e “bons dias” também trocam, quando tem mais tempo, outras dicas e sonhos. Locais que gostariam de ir, dicas sobre lugares já visitados, particularidades e curiosidades sobre seus próprios países. E essas trocas ajudam a construir a experiência de cada viagem e, naturalmente, de cada viajante. Nós mesmos, aqui, acabamos alterando nossa programação para incluir um passeio não previsto – e não tão óbvio – pois cruzamos duas vezes com a mesma família de alemães viajando de férias e num desses papos eles compartilharam o que havia sido, para eles, o ponto alto da viagem. E nos encantou aquele relato – e também aquelas fotos. Pronto, hoje deixamos de fazer algo que estava em nosso guia para fazermos algo que veio de presente, dessa troca mágica entre os viajantes. E, obviamente, não há como se arrepender: rio celeste, o local indicado, é absolutamente majestoso, intrigante e apaixonante. Pura vida!

Ponto para os viajantes e seu clube VIP. Quer participar também do clube? É fácil, basta arrumar as malas e sair para viajar!

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