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Vivemos hoje a revolução que a era da informação proporcionou. Apesar de a tão falada realidade virtual ainda não ser, de fato, realidade, podemos dizer que a “virtualidade” já é bastante real em nossas vidas. Todos temos computadores em nossas mãos mais poderosos do que aqueles que ajudaram o homem a chegar à lua. A internet nos conectou, diminuiu distâncias, proporcionou novos serviços de comunicação, informação e comércio. Tudo a um clique de distância, uma enxurrada de informação constante e a sensação de solidão quando estamos distantes do celular e ainda uma tristeza se o estabelecimento onde estamos não tem uma conexão wifi a oferecer.

A verdade é que hoje estamos hiperconectados e dependentes disso. Não dá mais para imaginar a vida sem essas tecnologias que facilitam e preenchem nossas vidas. Não combinamos mais com precisão o local dos encontros, pois sempre podemos ligar para a pessoa quando chegarmos e perguntarmos “onde você está? ”. Se não sabemos onde é um endereço, o Waze sabe. Se não temos carro, podemos ir de Uber ou até mesmo um 99Táxi. Está caro ou barato? Dá para descobrir escaneando o código de barras do produto. Se não sei ler o que está diante de mim, descubro em segundos a tradução de uma frase em russo ou italiano.

Outro fenômeno que não é de hoje são as redes sociais, que promovem um incessante grito de quem quer gritar, um palco constante para quem quer atuar, uma bela vitrine para quem quer expor seja lá qual for o produto que se tem a vender: pode ser posição política, pode ser foto com biquinho ou barriga tanquinho, pode ser piadas ou fotos de gatinhos.

Porém as redes sociais se prestaram a tantos eventos humanos, reais, tão poderosos, que é difícil negar sua relevância. O que dizer quando é virtual e está a quilômetros de distância a mão que se estende para ti em um momento triste? Quantos segredos são confiados via mensagem de celular? Quantos amigos ou mesmo familiares se reencontraram após anos de distanciamento graças ao Facebook e, antes dele, ao Orkut? Em minha família isso aconteceu, eu também tenho amigos que resgatei… e outros tantas pessoas que conheci inicialmente virtualmente e depois passaram a ganhar relevância em minha vida. Até mesmo aquela que é a mais especial.

Tenho amigos virtuais que se tornaram reais. E tem algo que eles me ensinaram sem que eu percebesse, que é a importância da abertura, de primeiro conhecer, sem receios, sem concepções pré-moldadas, e aos poucos dar às pessoas a importância que conquistaram. Estar mesmo pronto para dar espaço, para ouvir, para ser desafiado e para desafiar, para aprender e para ensinar. Tenho amigos nascidos através de gostos em comum, como música ou fotografia, ou ainda outros que nasceram a partir de projetos em comum na internet, como podcasts e blogs. Tenho amigos que surgiram em viagens. E todos esses se juntam aos amigos de infância, aos amigos do colégio, da universidade, dos cursos de línguas e dos vários locais de trabalho por onde perambulei na vida até aqui. E são todos diferentes e todos iguais ao mesmo tempo, todos amigos, pessoas com as quais há uma conexão, um instigante jogo de troca de pensamentos, ideias, brincadeiras.

As nossas novas vidas são assim, as pessoas são reais, os sentimentos também e isso importa mais do que quantas vezes já ocupamos o mesmo recinto ou se nos cumprimentamos com um aperto de mãos alguma vez na vida. O virtual é cada vez mais real. E se paro para pensar que a balança diária pende mais para os contatos a distância do que os contatos pessoais, não tenho dúvidas de que esse é um caminho sem volta. Aproveito então essa coluna na internet para deixar um caloroso abraço virtual em todos meus amigos – os que eu já conheço e também os que ainda não.amigo-virtual

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