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Uma vez uma amiga me falou que ela era uma pateta ao volante. Eu ri. Só depois, à medida que a conversa prosseguiu, é que eu entendi que ela estava falando do antigo desenho animado do pateta, que você pode (re)assistir clicando no vídeo abaixo.

[youtube: https://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0]

Pois é, é incrível como esse desenho que já completou 65 anos continue tão atual. Há muitos e tantos patetas ao volante hoje em dia, com o agravante de que em países como o Brasil (e os EUA) o carro ainda é visto como uma solução e não uma parte determinante do grande problema que é o caos do trânsito nos grandes centros. Ou seja, tem mais e mais carros diariamente nas ruas e, por consequência, mais e mais patetas ao volante.

O desenho mostra como o cidadão comum, de bem, se transforma em um monstro assim que vai para trás do volante de seu possante automóvel. Na animação há um pouco de tudo: falta de educação com os pedestres, disputa e competição com outros motoristas, impaciência diante de um mero sinal vermelho, grosserias. Nada que não estejamos acostumados ao sair na rua, seja dentro ou fora dos veículos.

Uma observação também ouvida recentemente e muito pertinente para o tema deste 171 é a de que quando estamos em grandes aglomerações de pessoas e, por descuido ou desatenção, tropeçamos ou esbarramos em alguém, pedimos desculpa e, via de regra, somos bem recebidos, com um sorriso e um “- Não foi nada”. Já no trânsito, se por descuido mudamos abruptamente de faixa e acabamos por “fechar” alguém sem querer, estamos na faixa errada e pedimos passagem ou outras coisas do gênero, somos sempre recebidos com pedras na mão, xingamentos, desaforos, perseguições, luzes altas, buzinas e quantos outros artifícios irritantes possíveis os patetas puderem lançar mão. Não há espaço para gentileza. Mad Max já é hoje em dia, nas ruas dos grandes centros.

Os exemplos de má educação são tantos que nem vale a pena citar todos. Um dos que mais incomodam é o daqueles que praticam a lei de Gerson, o “levar vantagem”. São esses que roubam vagas de estacionamento de carros que já estão parados e sinalizando que vão entrar, os que se instalam descaradamente em vagas de idosos ou deficientes sem ter qualquer justificativa para tal, os que acham seu tempo mais precioso do que o dos demais e furam uma fila formada para conversão só para pedir passagem, já lá frente, atrapalhando o tráfego, aqueles que andam colados na traseira dos outros veículos mostrando o quanto podem andar rápido, pedindo passagem… ainda que isso possa provocar ansiedade e descontrole do motorista que vem a frente, com possíveis consequências trágicas.

Já é uma piada velha dizer que o sinal amarelo do semáforo significa “acelere”. O curioso é que a piada pode ser sem graça, mas reflete a realidade, esse é o padrão na maior parte dos casos. Outra coisa engraçada são os “guardiões do sinal verde”, aquelas pessoas que não conseguem ser os primeiros da fila em um sinal vermelho, mas que, ao primeiro sinal da mudança para o verde, já acionam a buzina para informar aos motoristas à frente que já podem seguir. A dica para o motorista da primeira fila é aguardar a buzina, nem precisa olhar para o semáforo pois este é o único caso em que, às vezes, o som é mais rápido (e insistente) do que a luz.

Uma das poucas coisas que piorou com relação ao desenho do Pateta é com relação às distrações que o motorista está sujeito. Agora com o celular e seus whatsApps e Facebooks, email, mensagens de voz, GPSs e afins, fica ainda mais difícil ter motoristas concentrados em sua atividade principal naquele momento – o que torna tudo ainda mais perigoso. Com radares e fiscais geradores de multas espalhados por todos os cantos, o circo está todo armado para tornar os nossos patetas ainda mais patetas.

E depois ainda me perguntam por que eu não tenho carro… prefiro ser um pateta sem volante.

pateta ao volante

pateta ao volante

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