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Pode parecer que não, mas escolher um assunto para essa conversa quinzenal não é tão óbvio quanto possam imaginar os caros e raros leitores dessa coluna. Portanto, sempre que possível eu busco me aproveitar de uma data especial (como réveillon ou natal) ou de um acontecimento marcante (como os falecimentos de Robin Williams ou de Roberto Bolaños, no ano passado). Pois bem, no último domingo, oito de março, vivemos o Dia Internacional da Mulher. E, muito mais do que uma desculpa para a escolha de um tema, falar das mulheres, de sua importância e sua luta tornou-se para mim uma necessidade, muito mais do que uma comodidade.

Em outro evento recente e (relativamente) importante, a cerimônia do Oscar, vimos a atriz Patricia Arquette ganhar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e, em seu discurso de agradecimento, chamar a atenção para a luta das mulheres por direitos iguais. Isso, em Hollywood, não é algo assim tão simples. Há muito menos papeis principais para mulheres do que para homens. Essa diferença é ainda mais acentuada para mulheres a partir dos 40 anos – como é o caso da própria Arquette. E, ainda assim, em todas as circunstâncias, os salários delas são menores do que os deles. Meryl Streep aplaudiu de pé e aos pulos e virou febre na internet. E se para elas a situação é essa, o que dizer para as milhões de anônimas que disputam condições igualitárias de oportunidade, de salário. Isso sem mencionar aos problemas de abusos – tanto na vida profissional quanto na doméstica – que elas sofrem muito mais do que nós, homens. Vivemos sim uma sociedade machista. Há avanços, mas ainda há um longo caminho pela frente.

No dia 8, o Dia da Mulher, a jovem atriz Emma Watson convidou quem quisesse para participar de um bate-papo, pela internet, com ela, para discutir questões relacionadas à mulher, principalmente no mercado profissional. Uma jovem perguntou: “Emma, eu quero ser engenheira, mas meu pai diz que eu não posso, que não é um trabalho para uma garota. O que eu devo fazer?”. A resposta foi simples e precisa: “Torne-se uma engenheira”. O primeiro passo para romper barreiras é sempre acreditar que é possível rompê-las.

O Dia da Mulher é tradicionalmente marcado por ser aquele dia no qual parabenizamos as nossas mães, esposas, irmãs e talvez algumas amigas. É aquele em que o comércio distribui flores. É aquele dia que vários homens dizem que não deveria existir pois não há um Dia do Homem. É aquele dia em que tantos outros dizem que não deveria existir, pois o dia da mulher é todo dia. Um festival de lugares comuns, de clichês e de chavões que diminuem a discussão que deve sim ser discutida com mais foco. Mas se até mesmo o Natal rendeu-se ao vazio, era difícil esperar algo de diferente aqui. Portanto, vale muito ver discursos como o de Arquette e atitudes como a de Emma, mulheres com destaque e com voz, chamando a atenção de um público maior e buscando apoio. E, como elas, há tantas outras, anônimas e guerreiras, em busca de seus direitos e de seu espaço na nossa sociedade. No Brasil, nos EUA, no mundo todo.

É desnecessário repetir a importância de termos um Dia das Mulheres – e reforçar também a não necessidade de termos o equivalente para os homens. Elas ainda precisam de muito reconhecimento por suas causas, por sua luta, por seus direitos. Em alguns países, a diferença diminui. Mas há terras estéreis em que as mulheres vivem uma realidade chocante. Merecem que o dia faça-se desnecessário, simplesmente por não fazer mais sentido. Mas hoje faz. E como faz.

Aproveito o tema para agradecer imensamente a quatro mulheres. A primeira a minha irmãzinha e companheira de coluna Vanzinha Nishi, representando todas as minhas amigas, essas que me ajudam a entender o mundo, que complementam a minha visão das coisas, que me ensinam a doçura e a gentileza. A segunda, a minha irmã Isabela, que é a minha segunda mãe, minha grande amiga, uma fortaleza em forma de mulher e ainda com a ternura de um enorme sorriso estampando sempre seu belo rosto. A terceira é a minha mãe, Malu, professora na vida e minha mestra, minha inspiração para o bem, para a paz. E a quarta a minha companheira de hoje e daqui para sempre, Gisele, que me ensinou e ensina a cada dia que a felicidade é construída instante a instante e que com respeito, carinho, amor e um cuidado sem limites podemos transformar nossas vidas naquilo que sonhamos. Muito obrigado a todas vocês. E felizes dias das mulheres.

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