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Uma pechincha, dizem uns. Um negócio arriscado, dizem outros. Afinal, vale a pena, hoje, investir na Petrobrás?

Pois bem, háinvestimento poucos meses eu comecei a investir em ações. Conversei com amigos e familiares que já tinham experiência na Bolsa de Valores e mandei ver. Fui montando minha carteira, de forma tímida. É o que dá. Contratei um relatório diário com dicas, para ficar mais antenado e começar a aprender os jargões, os critérios, as análises, enfim, para de fato experimentar o tal mercado.

E aí estouro a crise da Operação Lava-Jato. Como todo bom investidor novato, eu até já tinha comprado umas açõezinhas da Petrobrás. Sei que elas já valeram mais de R$ 40,00 em 2008 e estavam a módicos R$ 13,00 e tantos, quando comprei… mas com o derretimento provocado pelos escândalos, falta de transparência, atrasos na divulgação dos resultados e baixa nos preços do barril o preço chegou a R$ 8,00. Comprei outras tantas, até mais do que eu já tinha. Na minha cabeça, era a coisa certa a se fazer e isso era óbvio. Até que chegou o relatório diário que eu tinha assinado dizendo que não, que não era uma ideia assim tão boa comprar Petrobrás. Um resumo dos argumentos contrários está aqui neste link.

Pois é, existiam argumentos contrários. Mas o principal deles, o que me levou a essa reflexão, foi o seguinte: há várias outras empresas em um mau momento na bolsa, empresas boas, sólidas e que não estão envolvidas em escândalos de corrupção. Empresas com o seu valor por ação apresentando, tal qual a Petrobrás, um ótimo desconto em relação ao seu valor histórico, como a Vale. Então, se é assim, por que investir o seu dinheiro em uma má ação (Petrobrás) ao invés de alocá-lo em uma boa (Vale)?

Trata-se de um argumento forte. Ainda que eu acredite que a Petrobrás sairá da situação atual e que em um futuro próximo suas ações se valorizarão, esse futuro próximo será medido em anos e não meses. Portanto, é provável que se eu investi mil reais em Petrobrás, que hoje valem setecentos, em três ou quatro anos eles podem vir a valer mil e trezentos. Mas será que eu não conseguiria 30% de rendimento muito mais rápido, em quatro anos, com outros investimentos? E correndo menos risco? O ponto é, se eu só tenho esses mil para investir, não seria melhor investi-los onde eles podem me trazer o maior retorno e de forma mais rápida e consistente?

A resposta para esse tipo de pergunta varia de acordo com cada indivíduo, com o seu perfil. E é difícil antecipar pois não há um envolvimento direto entre nós e Petrobrás ou Vale. É uma relação fria. Seria mais interessante se elas também se importassem com a gente. Se Petrobrás em um momento ruim falasse conosco e dissesse: “Confia em mim, você sabe que eu já fui bom, é só uma fase, um momento ruim. Eu vou dar a volta por cima, mas preciso de você, da sua confiança”, será que faria diferença em nossa avaliação? E se Vale respondesse: “Para mim também é só uma fase, aproveite agora que eu estou em baixa pois eu nunca te deixei na mão, todo mês estava lá para você, dando o que você precisava… e é neste momento em que as coisas não vão tão bem para mim que eu preciso da sua paciência”, como será que a gente reagiria?

Em nossas vidas pessoais a gente tem vários outros recursos que investimos, além das nossas sobras financeiras: tempo, carinho, afeto e atenção são alguns deles. De forma similar ao que acontece com o mercado de ações, temos que decidir onde alocaremos tais recursos, em que pessoas, animais ou coisas vamos dispender nossa atenção, nosso afeto, nosso tempo. E, também de forma parecida com o cenário de investimento acima descrito, há Petrobrases e Vales à nossa volta, disputando esses recursos, e o mesmo argumento pode ser usado, será que vale a pena corrermos altos riscos por um retorno que pode nem vir e ainda por cima com probabilidades reais de prejuízo. Ou valeria mais a pena sermos mais conservadores e dedicarmos nosso afeto, atenção e carinho àquelas pessoas que também nos dão retorno, que também investem em nós, que estão conosco em nossas baixas?

Eu sei que até aqui, em minha vida, eu já fiz apostas arriscadas, já fui mais conservador. Já investi alto e já tive lucros e prejuízos. Arrependo-me de poucos investimentos e foi com eles que aprendi a grande diferença entre os dois cenários, o financeiro e o pessoal. Tem vezes em que um mau negócio nos enriquece muito mais e nos deixa com o caixa cheio para investir, com muito mais sucesso, na próxima oportunidade que a vida traz.

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