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Tomamos decisões, em nossas vidas, de todas as formas possíveis e imagináveis. Planejadas, intempestivas, emotivas, racionais, individuais ou coletivas… são tantas as variações na forma e conteúdo da tomada de decisão. O ditado já dizia: toda escolha implica em uma perda. Se há ao menos uma alternativa, então há ao menos uma história que não será vivida, ao menos um caminho que não será trilhado.

A decisão que, no próximo domingo, 26 de outubro, cada um de nós, eleitores brasileiros, tomaremos não pode ser tomada nos poucos segundos em que estaremos diante da urna. Ali é apenas o momento de registro, em que escrevemos em pedra a nossa forma de ver o mundo. É uma decisão importante, muito mais importante do que nos acostumamos a pensar. O apolitismo, o pensamento corrente do “todos os políticos não prestam”, do “quanto pior, melhor”, não é a arma com a qual conseguiremos mudar o cenário. Não. Para mudar é preciso que sejamos mais esclarecidos, que aprendamos a discutir política e a respeitar outros pontos de vista. E é só com debates construtivos que nos tornaremos aptos a escolher melhor aqueles que representam a nossa forma de pensar, para nos representar.

O grande problema nesse raciocínio, que me entristece consideravelmente, é notar o baixíssimo nível dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno presidencial. Assistir aos dois debates da semana passada, na Band e no SBT, foi um show de horrores. Pouquíssimo de construtivo foi ali dito. E ainda assim, tudo ficou no campo das incertezas, com um candidato tentando ridicularizar o argumento do outro e contra-atacar tentando deixar claro quem é mais canalha. É a isso mesmo que estamos restritos? A escolher o menos pior, de maneira tão clara quanto os slogans de Tiririca? O candidato liberal que diz que vai sustentar e aumentar os programas sociais? A candidata da situação que usa “mudança” no seu slogan de campanha? As mentiras, de lado a lado, quando se defendem e as verdades, de lado a lado, quando se atacam? O político do aeroporto ou a presidenta do aparelhamento?

Foi triste e reforça em todos esse mau conceito da política e dos políticos nacionais. A gente deveria exigir mais dos candidatos. Quando dizem que estão mostrando o “projeto de governo”, só são capazes de dizer obviedades. Coisas como “Continuar o que está bom e melhorar o que não está tão bom” não podem ser plataformas de governo de ninguém. Ou alguém é contra isso? Haja obviedade, haja falta de objetividade. Nos debates, nota-se que oratória e carisma não são atributos dos quais Dilma possa se vangloriar. Já Aécio é muito mais desenvolto, mas exagera caindo para um quase deboche, respondendo e até perguntando em tom de gargalhada em vários momentos.

Os marqueteiros se aproveitam e deitam e rolam, imaginando uma campanha sem imaginação e focada em escândalos. Nós, que negligenciamos a EQUIPE que o presidente apenas representa e preferimos figuras messiânicas, salvadores da Pátria, valorizamos fotos que mostram que alguém sozinho e contando apenas com a memória é mais preparado que alguém com uma equipe de assessores e com dados para consulta. E, o que é ainda pior, levamos isso a sério. E não paramos para refletir o que querem que pensemos. Ao invés disso, a gente apenas pensa.

Mas os candidatos são apenas reflexo do que somos nós como povo. Não é difícil entender uma campanha voltada para os ataques e ofensas, quando vemos o mesmo tipo de manifestação nas redes sociais e nas ruas. Não há diálogo, não há uma discussão sadia. Há “certezas” que, em muitos casos, vem de uma manipulação midiática. Há a “certeza” de todos que o PT é sinônimo de corrupção, um discurso que isenta os demais partidos – o que é um erro. Há a “certeza” de que a volta do PSDB ao poder significará nova recessão, privatizações e desemprego. Há muito ódio e revolta. Há ataques, há ofensas. Há gritos desesperados de alguns, suplicando para que a eleição acabe para que a PAZ volte a reinar e amizades e relacionamentos não se desfaçam enquanto isso. Mas não há, reforço, diálogo. Parece ter ouvido, por parte das pessoas, um engajamento maior. Todos falam, mas ninguém ouve. Já é um passo, mas para se fazer política é preciso um pouco mais. Mais carinho pelo próximo, por nós mesmos e principalmente, pela nossa bela nação.

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