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Idealizamos as coisas. Sim, a gente tem essa mania besta de usar o nosso cérebro e nossa imaginação para projetar o futuro. Esse exercício nos leva a criar um, dois, mil cenários diferentes para o desenrolar de um momento, de um dia, de uma situação. Somos capazes, veja bem, de não só antecipar em nosso pensamento como agiremos, mas também como agirão os outros… e se ficamos em dúvida de como serão essas reações, somos ainda capazes de criar alternativas. Se responder isso, eu digo aquilo. Se reagir bem, faço assim, mas se reagir mal, faço assado.

Lembram-se do mês sabático? Pois é, ele já terminou e me reservou várias surpresas que colocam em cheque tanto a utilidade de tais projeções como também reforçam a imprevisibilidade da vida. Este texto, por exemplo, está sendo escrito de um aeroporto, 11 horas depois da partida do meu voo. Pois então, eu não estava nele e por isso estou aqui. E ainda sem saber quando vou embora ao Brasil. Aquela reunião que estava prevista para hoje? Já era. Aquele encontro memorável e simbólico de amanhã? Só Deus sabe se ainda vai rolar.

O que é mais divertido disso tudo é, justamente, aprender como nós nos comportamos diante do inesperado, que como neste caso da perda do voo nem sempre é agradável. Durante a viagem, por exemplo, eu programei uma visita surpresa a amigos do meu antigo trabalho! Fui surpreendido, também negativamente, ao descobrir que a maioria deles estava em um congresso… O que fiz? Aproveitei a presença de quem ali estava, fiz uns dois “selfies” com eles para registrar a minha surpresa-fracasso e, mentalmente, anotei que talvez não seja má ideia ao menos informar uma pessoa quando for organizar uma outra visita surpresa, isso pode ajudar nos preparativos e evitar desencontros.

Outro exemplo, ainda no mês sabático. Tinha feito um longo planejamento da viagem, afinal seriam quase 40 dias fora de casa. Tinha feito planejamento de viagem, definido roteiros (a viagem combinava férias e trabalho), reservas de hotéis, entradas nas atrações que pude antecipar, aluguel de carro, voos internos, trens… ainda no Brasil, nos últimos dias que antecediam a partida, descobri que ela, Camille, uma de minhas cantoras favoritas, iria se apresentar em um castelo, em uma cidadezinha próxima de onde estaria. Imaginei: ela não é uma pop star, acho que ainda consigo um bilhete de última hora quando chegar por lá. Dei-me conta, ainda, que não tinha reservado os bilhetes de trem para um trecho da viagem. Pensei: oras, os preços não devem variar tanto se eu comprar em cima da hora e, assim, ainda tenho um pouco de flexibilidade, afinal deixar tudo pré-programado e organizado assim é quase que uma mania, tenho que parar com isso, para o bem de minha própria saúde.

Resultado das duas projeções? Arrependo-me amargamente de ter perdido o concerto de Camille pois já não havia mais bilhetes quando decidi compra-las… para piorar, para meu martírio, questionei a atendente quando tinham se esgotado e, obviamente, eles ainda estavam disponíveis quando eu soube do concerto, lá atrás, ainda antes de embarcar. A história dos bilhetes de trens segue o mesmo script… acabei comprando no mesmo horário que eu teria comprado (bye, bye, flexibilidade) e paguei muito mais caro do que teria pago se os tivesse reservado com antecedência. O que aprendi? Já que vou fazer projeções, ao menos vou tentar equilibrar entre as otimistas e as pessimistas. Principalmente quando eu quiser muito que algo dê certo… ou seja, devia ter tido mais cuidado com o concerto da Camille e com o encontro com os amigos, já o erro com os bilhetes de trem é mais aceitável, prejuízo apenas material.

O que me traz de volta a essa poltrona, onde passei a noite, aqui no aeroporto. Não adianta pestanejar, não adianta chorar, não adianta se irritar. O voo já partiu. Eu já cheguei atrasado – aparentemente devido a um incêndio em algum lugar no trecho do trem que me trouxe ao aeroporto. Mas isso apenas explica. O que resolve é manter a calma, buscar a melhor solução e aprender com os erros para que as surpresas tendam sempre a ser positivas. A gente pode dar uma mãozinha… nem que seja preparando-se pelo pior mas esperando sempre o melhor!

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