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sabático

No momento em que este texto for publicado, eu estarei de férias. Serão 3 semanas, divididas entre a França, a Grécia e a Espanha. Irei a dois casamentos. Vou a lugares novos (Grécia, Andaluzia, Étretat, na França) e conhecer novas pessoas. Vou visitar lugares já conhecidos (Paris, Loire, Lyon, Madri) e rever velhos amigos. Vou passear, experimentar. Serão belas férias. Mas poderia eu chamar esse período de “3 semanas sabáticas”?

Ouço bastante gente, e tenho vários amigos, que sonha com o ano sabático. Um período para um retiro, para parar tudo. É um momento de auto-descoberta. De dar as costas para a rotina, para o dia-a-dia de stress e confusão, para as necessidades materiais do mundo capitalista, para as necessidades sentimentais de adultos complicados. A imagem de tirar um tempo para si vem sempre acompanhada de um paraíso. Para os que gostam de mar, há vários paraísos azuis que ajudam a ilustrar o tal ano sabático. Para os que preferem a natureza e o verde, uma casinha de campo isolada, preferencialmente com um belo horizonte montanhoso.

OK, é tentador. Mas quem tem um ano para dispor? Via de regra, ninguém. E são poucos aqueles que tem a coragem para largar tudo e passar a ter um ano. E tendo, exige um planejamento prévio (ou ainda mais coragem) para poder desfrutar do sonho do ano sabático sem que ele se transforme em pesadelo.

Soa pessimista? Pelo contrário, meu objetivo é justamente desmitificar o ano sabático enquanto ideal. Dá para termos dias sabáticos quase que de graça. Horas, com certeza, dá. Uma semana sabática, se pensarmos que pode ser no período de férias, é mais do que fácil de se conseguir. E até, porque não, um mês sabático, oras bolas. A grande questão é que se sonhamos com o que, para nós, definir o “sabático” do ano, podemos ter a mesma coisa em períodos mais curtos. E, o que é mais grave, em geral não fazemos isso pois adoramos idealizar e ficar esperando pelo ideal, ao invés de desfrutar o que de fato podemos e está à mão.

Olhando para a minha própria rotina, vejo claramente que esta reflexão vale muito para mim. Poderia ter horas sabáticas todo dia! Continuo, no entanto, me consumindo com a rotina e a tão famosa “correria” do mundo moderno. O vício em tecnologia é outro mal a ser combatido. Como ter períodos sabáticos se estou sempre vidrado no que está rolando no mundo e ao meu redor? A mente precisa de descanso. A minha poltrona de leitura está sub-utilizada. Meu violão precisa de mim. A própria rua está lá fora pronta para ser desbravada. E não preciso de mais do que alguns minutos para planejar e começar a executar. Vamos?

 

 

 

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