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Politica-FCO texto de hoje não é sobre a Copa porque me disseram que a Copa acabou, não dá mais. Mas deixou saudade. Não vou, portanto, falar sobre a conquista germânica ou a derrota hermana e, menos ainda, sobre o quarto lugar da nossa Seleção ou os esquemas táticos de Felipão. Mas, na dificuldade de achar um tema melhor, vou abordar esse sentimento de ser brasileiro que a Copa despertou – e desperta – em nós. A nossa época mais colorida é o carnaval, a mais luminosa é o réveillon, mas a mais verde-e-amarela, incontestavelmente, é a Copa do Mundo.

Nós, os brasileiros, somos convidados a ser a pátria de chuteiras a cada quatro anos. E, curiosamente, exatamente nestes mesmos anos, somos também convidados a escolher o nosso presidente e governadores estaduais. Quero aproveitar o momento aqui apenas para registrar o quanto nosso interesse por um assunto e por outro explicam – e nos imputam culpa – muito mais do que gostaríamos sobre os nossos problemas. A Seleção está indo bem? OK, não há quebra-quebra, está tudo muito bom, está tudo muito bem. A Seleção perdeu? Mais de vinte ônibus queimados em São Paulo. A CBF comanda o nosso futebol. Não fomos nós quem elegemos José Marin e, antes dele, o abominável Ricardo Teixeira. Não fomos nós, tampouco, que escolhemos Felipão e Parreira. Para a Seleção e nosso futebol só nos cabe um papel: torcedores, apoiadores, entusiastas. Ou, então, ignorarmos, repudiarmos o esporte e o “circo” que ele possa vir a representar. Não dá para ir muito além disso.

Agora que Felipão caiu, cada brasileiro já tem um ou mais bons candidatos para substitui-lo… conhecemos o suficiente para argumentar se vale mais a pena investir ou não em um nome estrangeiro, conhecedor do futebol praticado internacionalmente ou se é melhor se garantir com alguém mais habituado à problemática estrutura do nosso futebol e os desmandos da CBF. Somos,  vejam vocês, “politizados” quando o assunto é futebol. Faça um exercício com esses mesmos brasileiros para assumirem que os três candidatos à presidência, Dilma, Aécio e Eduardo, estão impugnados, não podem concorrer e peça nomes e justificativas para outras possibilidades, tanto na situação (PT e sua base aliada) quanto na oposição (PSDB, PSB, DEM, etc). Em um caso, não temos poder de voto e temos vários candidatos. Não fiz a pesquisa mas sou capaz de afirmar que para o outro cenário, em que o poder de escolha é NOSSO, desconhecemos até os candidatos oficiais, que dirá conhecer alternativas. Desconfio até de quem diz “conhecer” Dilma, nossa presidenta já há quase quatro anos, ou Aécio, neto do ex-presidente Tancredo…

Mas ser brasileiro é também surpreender positivamente. Se temos complexo de vira-lata para enxergar nossas virtudes e complexo de pitbull para avaliar o nosso time de futebol, a Copa veio para revirar esses conceitos. A avaliação extremamente positiva, amplamente registrada inclusive pela imprensa estrangeira, deve-se basicamente à nossa gentileza, hospitalidade e alegria como POVO. Isso é ser brasileiro, muito mais do que sermos pentacampeões do futebol. Dá para ter orgulho e para ter muito amor por sermos brasileiros e temos que aprender a dar valor nisso. Mas, se queremos um país diferente – e merecemos isso – também temos que aprender a nos unir e a cantar o hino à capela para nos politizarmos, para irmos ao Congresso e fazermos pressão para que votações relevantes (as tais famosas Reformas) entrem em pauta e que sejam efetivamente votadas. Para que essas promessas valham mais do que promessas como Neymares, Oscares e Bernards, que nem sempre se cumprem.

Quando um novo técnico assume, ele traz sua equipe de confiança. Um treinador de goleiros, um preparador físico, um terapeuta. Aposto que muitos conhecem os nomes de Parreira, Murtosa, Runco. Um novo governante também tem que escolher seu time de elite, seus ministros. E cabe a nós avaliar cada nome, entender seu histórico, palpitar, questionar, aplaudiu ou vaiar. A gente tem que se politizar mais, temos que ter opinião sobre tudo, temos que estar ligados no que está acontecendo no dia-a-dia da nação, de forma mais ativa, mais interessada.

Como eu disse no começo, esse texto não é sobre futebol e nem sobre a Copa do Mundo.  Esse texto é apenas a minha vez de aplicar o lugar-comum de dizer que temos que nos interessar mais pelos rumos do país do que por futebol. Mas, não quero dizer com isso que tenhamos que gostar nem um pouquinho menos de futebol. O erro é gostarmos tão pouco de política… com tanto orgulho, e com tanto amor.

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